Deixar ao acaso. Deixar as coisas correrem. "Deixa acontecer naturalmente", dizia aquele pagode insuportável (sei, pleonasmo vicioso) do meu tempo de colégio. Atitude de paciência e confiança, sim? NÃO! Paciência o escambau. E, se alguma atitude é representada por essa máxima, sem dúvida nenhuma é, ou covardia, ou comodismo.
A vida sempre me favoreceu quando eu fazia uso do tempo. Bastava esperar que o importante sempre vinha. Pois bem, uma outra máxima: o acaso é o caos (redundante, eu sei). O caos, por sua vez, só mostra que as probabilidades de acontecer qualquer coisa são iguais. Pensando assim, se eu quero uma coisa em específico, deixando nas mãos do acaso, a resposta lógica é que existe uma probabilidade esmagadora de que aconteça qualquer outra coisa que não a desejada.
Onde eu quero chegar? Passividade não é algo louvável. Não pretendo mais esperar o momento em que as coisas estejam perfeitas, um momento em que, por alguma milagre de compreensão eu perceba "oh, chegou o momento!". Isso não acontece. Se acontecer, sabe-se lá o que o acaso não terá aprontado no caminho. Quantas coisas determinantes podem se colocar no caminho? Infinitas!
Impaciente? Eu? Talvez um pouco, mas só um pouco. Paciência é esperar a noite chegar. Esperar o fim de semana certo chegar. Esperar o dinheiro cair na conta para poder planejar. Contar os dias para o encontro. Não aguardar o destino traçar as tais das suas linhas no meu caminho. Chega! De emaranhados a minha vida já tem o suficiente sem que eu precise de ajuda externa.
Se fiquei radical, é porque o meu destino me colocou aqui. Deixei as coisas correrem ao sabor do vento. Foi bom. Por que, já que eu venho advogando contra isso? Porque me ensinou a temer o improvável. Mas ele não é improvável, caramba? Segundo o acaso, não. Como eu já disse, a probabilidade é a mesma. Me parece muitíssimo mais coerente acreditar que, uma vez que eu não tome o espaço que quero, alguém o fará. Em qualquer aspecto da vida isso se aplica. Emocional, profissional, familiar, enfim...
Sem que ninguém me jogue na cara, sei tudo o que perco estando onde estou. Certas coisas, infelizmente estão fadadas a continuar da maneira como já acontecem. Paciência (essa sim é a bendita paciência). Mas desistir por isso? Não. "Talvez não seja a hora". Talvez não tenha sido a hora de eu nascer. Nasci. Paciência. Talvez não seja a hora de correr atrás. Talvez nunca seja. Talvez é o campo de discussão mais duvidoso (para não dizer inútil) que existe. Não, não vou me esconder atrás disso.
Vou correr atrás.
Azar é o do goleiro.

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