O Castelo
Como um dragão que guarda seus tesouros do mundo, imaginando o que poderia fazer se os usasse, mesmo sabendo que nunca o fará, guardo aqui minhas quimeras, minhas letras, que para mim tem alto e caro valor. Guardo-as, mesmo que um qualquer possa visualizá-las, ainda assim são minhas palavras e, como tais, as guardarei. Este é o meu espaço, este é o meu castelo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Tremedeira
Agora faltam apenas horas. Acordei anormalmente cedo, pelo menos quatro horas mais do que qualquer outro dia das últimas duas semanas. As mãos tremem de expectativa sobre o teclado. Talvez seja a térmica de mate que ajudei a derrubar olhando 'Bravura Indômita', talvez seja porque elas sempre tremem mesmo. Estou mais relaxado, consegui até me divertir com o humor negro dos irmãos Coen. Escutar Los Hermanos já não retumba na cabeça. 'Quem sabe' já não toca em looping. A hora de cair (para reerguer, uma hora, ou outra) ou de erguer a cabeça está sensivelmente mais próxima. A trilha sonora agora é Raimundos. Me permito até sonhar um pouco.. Tenho que comprar um anel novo para substituir o que perdi na virada do ano e me pego dizendo (mentalmente) "Tinha outro tipo de anel em mente. Um de prata, sabe?". A tremedeira também pode ser porque tem umas 14 horas que não como nada. Mentira, acabo de lembrar que comi uma torradinha com mel quando levantei. Até o apetite voltou. Que seja para perder, mas, pelo menos, chegou a voltar. A perspectiva do teu regresso volta a trazer cores para o meu mundo. Um mundo ansioso, mas colorido.
Acho que vou matar algumas pessoas (sim, isso é sinal de ânimo), apesar da S.O.P.A. me privar do Megaupload, consegui baixar GTA III por torrent (e espero ter oportunidade de te ensinar a jogar, tu iria adorar).
domingo, 22 de janeiro de 2012
Gris
As cores acinzentaram. Os sabores parecem ter desaparecido. A graça e o prazer nem sei mais o que significam. Tudo se perde na distância. Embora o tempo seja curto, quanto mais próximo o momento do reencontro é, mais pálido o mundo fica. Palavras? Só gero alguma pela escrita, minha voz não tem nenhuma utilidade quando não é a pessoa certa quem ouve. Sei que não adianta ficar entocado em casa, contudo, nenhuma atividade me prende, nada tem sentido. Só a espera. O reencontro é a esperança de uma luz no fim do túnel. Túnel que foi um período sombrio, de visão turva e ilusões sólidas. Mas há um resquício de esperança, se não a tivesse, que mais poderia fazer?
Nada tem sentido, só a espera.
Nada se prende a mim, exceto a eterna dor no ombro direito.
Quando o momento chegar, serei grato. Serei inteiro. As mesquinharias vão cair ao chão para alicerçar um tempo melhor. Um tempo em que eu possa andar de cabeça erguida ao teu lado, sem receio de culpa. Pode ser um caminho longo, mas não importa. Haverá tanto para ver, tanto para sentir, tanto para desfrutar, tanto para planejar...
Mas primeiro, a espera.
A espera e a esperança.
E, claro, a dor no ombro.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Vigília
Foi como um sonho. Um daqueles em que se tem algo maravilhoso à frente. Se corre, corre, corre e parece que o objeto de desejo fica cada vez mais e mais longe. O motivo é simples, é um sonho e o que se quer, na verdade, não é real. A solução é igualmente simplória: acordar. O problema é quando o sono é tão pesado que não se acorda nem querendo, nem sabendo que tudo é absurdo demais para os padrões da realidade. Aí, se espera o sonho passar. A não ser que alguém, ou algo te acorde. Eu fui acordado. Acordado pela pessoa que eu deveria me importar, pela pessoa que se importa comigo.
Uma vez em vigília, uma torrente de sentimentos do espectro da culpa se apossou da minha cabeça. Compreender o que acontecia era o próximo passo. Entendido, difícil foi crer em como, COMO eu consegui agir do jeito que agi. Coloquei tudo a perder. Minhas chances de conserto são voláteis, ao menor toque podem evaporar. Cada palavra, a partir daí deveria ser medida. Infelizmente para mim, sou péssimo em medir. Não me permito grafar nada em que não acredite. Por mais que essas palavras cortem tão fundo como uma lâmina, brando-as sem muita cautela, desde que sejam reais.
Procedi do modo como achei mais correto. Causei danos. Me resta avaliar o estrago e mostrar que acordei, estou de volta ao mundo real. Tenho sentimentos reais e deixei de amar sonhos. Me prostrarei aos pés de quem me alertou em desculpas. Se receber ela me estender a mão, nem sei como expressar a felicidade que será. Se ela me virar as costas (com toda a razão), levantarei sozinho. Já fiz isso antes. Dói (fígado e estômago que o digam), mas eu consigo.
Apesar de tudo, não me permito deixar de ser otimista. Depois de horas e horas no telefone, meu peito está mais leve. Mesmo os momentos em que só as respirações comunicavam enchem meu espírito de bons presságios.
"Não há raiva, não há morte, só arrependimento e amor
E disso tudo eu entendo muito bem"
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
É esperar e esperar
Noite se sexta-feira e eu em casa. Não que falte o que fazer, ou mesmo companhia. Três horas em uma aula de Sound Forge com seis computadores funcionando e nenhum fone de ouvido acabaram com minhas condições físicas. Nem um coquetel de analgésicos me curaria a dor de cabeça. Já o moral, não vê muitos motivos pra comemorar. Resolvi a questão que me afligia. Sim. A questão foi o preço a se pagar. Muito provavelmente vá ser algo que eu venha a lamentar posteriormente. A questão é mesmo que não tenho ânimo para nada.
Depois de toda a confusão, me limito a esperar. Só não choro nem fio (como fariam n'As Brumas de Avalon), mas o aguardo por um momento específico me acompanhará nos próximos dias. Sem livros, sem músicas, sem jogos, sem bebida.
Agora, é esperar para conversar e tentar recomeçar.
É esperar e esperar.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Medo e Dúvida
De todas as palavras, as que tenho mais pudor em grafar são o medo e a dúvida. Explico: sentir medo ou dúvida é perfeitamente natural, mas escrever é reconhecer, aceitar e compartilhar. Se admitir que sinto medo e tenho dúvidas, perco terreno, ou melhor, credibilidade. Talvez só agora eu mensure a dimensão das decisões que tomei. Tenho ainda mais medo por já ter cometido um erro como tal. Claro que posso não estar caindo em um erro, mas quem saberá?
Fraqueza nunca é fácil de admitir. As virtudes são esbravejadas em tempo integral por uma parcela considerável das pessoas, mas reconhecer fraquezas, isso não. Não me refiro àquelas pequenas falhas que cada um se orgulha, mas erros graves. Erros que respaldam em outras pessoas. Aí, como diz o popular "o buraco é mais embaixo".
Pensando com calma, mais de uma vez cedi ao impulso de decidir coisas com o coração (mesmo que ele mesmo me fizesse voltar atrás). Atirar tudo para cima não é exatamente uma novidade, Resultado: já fiz a coisa certa e já errei, mas só o tempo poderá dizer o que, de fato, acontecerá.
Era de se esperar que, em algum momento, minha convicção no insight sofresse algum abalo. Era natural esperar algo assim, Quando se está confuso, mais confusão é previsível. O pior de duvidar de si mesmo (e admitir) é que não se pode esperar que mais ninguém acredite.
A dúvida é o diabo, admiti-la, é outro.
Para o meu pavor, a certeza cessou, mas a dúvida também deve passar.
Agora, refletindo sem pressa, me recordo que o perigo está nas convicções.
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